Submissa é uma coisa, masoquista é outra…

Submissa ou masoquista?

É preciso entender que o que chamamos de D/s (dominação e submissão) é relacionado mais à forma psicológica de que é tratado o papel que a parte submissa assume, e tem prazer com isso, sente-se realizada, a ponto de fazer as vontades da parte dominadora, uma vez que é justamente assim que ela sentir-se-a plena.

No caso do que chamamos de SM (sadomasoquismo) a parte sádica tem prazer em causar dor ou sofrimento à parte masoquista, (de forma consensual) que por sua vez sente prazer no sofrimento ou dor.

É extremamente comum que haja uma “intersecção” entre o papel submisso e masoquista, de forma que você encontre pessoas que têm prazer na submissão e gostam de dor em grau moderado. Isso faz com que as práticas de D/s tenham quantidade moderada de dor ou sofrimento, seja usando velas, açoites leves, spanking leve, torturas leves, seja por cansaço, dor ou de forma psicológica. Mas não é tão comum que masoquistas que assumem o papel de forma abrangente, sejam submissos, pois o masoquismo não está inserido nas práticas de submissão.

Obviamente, com a complexidade humana, nós temos perfis que misturam os dois papéis e isso não está errado, não há nada errado em ser assim ou assado, pois o objetivo é sentir-se feliz, pleno, seja num ou noutro papel.

O ideal é experimentar algumas práticas dos dois papéis e procurar definir exatamente o que lhe atrai, o que lhe dá prazer.

Quando você tem esse papel bem definido, você pode explorar profundamente suas vontades. Se você mescla os papéis, precisa ter em mente os limites de um e de outro, uma vez que dependendo da outra pessoa envolvida, um papel se mostrará mais evidente, mais aparente, em relação a outro. Por exemplo, se você se relaciona com um dominador que não é sádico, ele pode até ter práticas que revelem traços de sadismo, mas ele se aterá às práticas mais envolventes, menos físicas. E se você se relaciona com um sádico, ele pode não cobrar uma postura submissa sua, mas lhe tratar de forma mais “dolorida”.

A questão de alguns “dominadores” serem mais brutos, ríspidos ou sem noção mesmo, quanto ao respeito à outra pessoa, é advinda de outra ordem; sejam falta de educação, distorção do conceito BDSM, machismo que não foi controlado, questões culturais, etc… Pois para ter uma submissa, é preciso que ela queira ser submissa, não pode-se obrigá-la a isso, pois sairia do conceito básico do SSC (são, seguro e consensual) e não seria BDSM, seria brincadeira de adulto. Para se ter ideia de como isso funciona, eu conheço sádicos que namoram a sua masoquista, elas não têm comportamento submisso, mas obviamente demonstram um comportamento mais manso, é evidente quem comanda a relação, e nas práticas há spanking e torturas pesadas, a ponto dos expectadores acharem que não existe um limite, e depois, os dois bebem juntos, sorrindo divertidamente, beijando-se, sem qualquer ritual de comportamento submisso.

Há papéis que utilizam uma “encenação” mais elaborada e isso é outra história, então devo tratar a respeito em outro momento. Pois são igualmente importantes e contém detalhes ricos a se abordar. Só para se ter ideia, é algo como ter formalidades que exaltam o papel de dominador e submissa.

1 comentário em “Submissa é uma coisa, masoquista é outra…”

  1. Olá! Vejo-me atraída por este mundo. Estou buscando informações e querendo me conhecer, pois até então era algo jamais imaginado por mim. Td começou com um homem dominador que conheci há algumas semanas. Ele me dá ordens e eu fico excitada. Loucura, pra mim. Mas no sexo ainda não houve nada muito além do normal. Sinto que ele é paciente e não quer me assustar. Seu blog é uma das melhores fontes de informação que encontrei até agora. Parabéns pelos textos e obrigada por disponibilizá-los.

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