Fragmentos de uma relação BDSM | intervalos

Submissa:
Confusa, e-mail triste, desesperado, com esperança.
Dominador:
Quando estamos envolvidos, somos envolvidos… fazemos parte. Aos poucos deciframos como fazer para vivenciar as coisas, experimentar tudo, e; é natural termos pressa às vezes, ansiedade ou algo assim. Mas absolutamente nada construído muito rapidamente é sólido o bastante. Imagine que para cozinhar alguns pratos muito especiais, levamos algum tempo em frente ao fogão, ou algumas bebidas são envelhecidas por muito tempo para serem consumidas em bem pouco tempo.
Com base nisso, proponho que descubramos sem pressa as coisas. Com a certeza de que não vamos experimentar nada ruim e qualquer experiência que tivermos vai valer a pena. Assim mesmo a incerteza da continuidade é saborosa, mesmo não conhecer as respostas, não nos paralisa em continuar perguntando. Só a inércia atrapalha, e quando você acha que paramos, estamos só preparando o próximo passo. Confie.
Submissa:
Que lindo…
Obrigada, precisava ler isto…
Concordo com você em tudo que disse, acho que é assim que devem ser as coisas… mas precisava  ler isto para entender que pensa desta forma e que não sou apenas um passa tempo que você lembra quando esta a fim… entende?
Não tenho problema em ser lento, acredito que assim as coisas se fortalecem e duram, só precisava saber que estamos no caminho certo, que esteja gostando e que está tudo bem.
Eu confio em você através do que fala e das suas atitudes…
Obrigada!

Fragmentos de uma relação bdsm | primeiro encontro

Submissa:
O primeiro encontro
O primeiro minuto foi eternizado no toque de suas mãos, antes era um misto de medo, ansiedade, suspense, excitação…

Depois de sentir seu toque um rodamoinho de sensações passaram por mim, todas elas me deram um oi passageiro e foram embora, transformando tudo em um cenário iluminado…

E iluminado é a sensação mais confusa neste momento, em que meus olhos vendados nada viam….

Depois veio o som da sua voz, que invadiu a minha alma e cravou sua bandeira dizendo que não estava de passagem…

Som inesperado que surgia ao meu lado, que firmava que alguém muito desejado estava presente, sua voz arrepiava meu corpo e me conduzia… e eu me deixava guiar por ela …

Indefesa e limitada a fazer o que a sua voz me dizia…

Sempre esperei por um momento único, nunca imaginei como ele seria, apenas queria que ele fosse único, pensado e criado por alguém que entendesse que cada minuto é especial e é isto que faz com que se eternize…

O cuidado, o carinho, o respeito, a possessão, a dominação… me renderam… e me tornei, ao entrar por aquela porta… sua submissa.

Clamando pelos seus olhos… e sendo iluminada pelo seu toque e sua voz… vejo que o que vem de ti me é suficiente… e não preciso de nada que não queira me dar e sou absolutamente escrava e dependente do que me dá com amor…

Triste hoje não é não ver seus olhos ou a luz do quarto… mas sim não ouvir sua voz a me conduzir…

 

Tem mais… bem mais!

Glossário BDSM

Hoje iniciei um glossário BDSM, que vou gradativamente alimentar com os termos que acredito que tenham algum vínculo com o BDSM e que possam ajudar a entender melhor o universo BDSM. O acesso se dá diretamente pelo menu no topo da página, aproveite… e, se tiver algum termo que ache interessante colocar ou queira saber a respeito, mande uma sugestão pelo formulário de contato.

Fragmentos de uma relação bdsm | Início

Um breve cenário, que dentro do possível vou resgatar e quem acompanhar talvez tenha noção do  que foi vivido. Daqui em diante, o desenrolar desse história eu irei sempre marcar como “fragmentos de uma relação bdsm”, caso você queira acompanhar, sinta-se a vontade.

  • A submissa: casada e iniciante
  • Situação: marido sabe, ele fez o contato com o dominador através de um anúncio num site, não participa de nenhuma sessão, sequer o conhece pessoalmente.
  • Forma de contato real: blind date
  • Contatos: 3 sessões
  • Condições: ela não pode fazer contato a não ser de forma escrita, ela fica a disposição do dominador quando ele deseja, ela gosta de ouvir a voz dele, mas ele raramente liga para ela, ela ainda não tirou a venda dos olhos, desde a primeira sessão, e não se importa com isso. Quer sentir novas sensações, se entregar, se sente dominada por ele desde o primeiro contato telefônico.
  • Avaliação superficial: ela é sub de alma, entende o conceito de entrega, não tem medo, quer viver o bdsm, vê no bdsm a oportunidade de se libertar, tem grande potencial para aprender e servir, é dedicada, não é ansiosa, não se importa em como o dominador leva a vida, não pergunta detalhes, só quer viver e se entregar a ele, é vaidosa, é inteligente, tem perfil profissional de destaque e não-submisso, pensa antes de falar, tem encanações às vezes, se é agradável, se é gostada pelo dominador, mas vai superar isso e entender que se ele está com ela, ela basta.

 

Tem mais… muito mais…

Onde se busca contatos e referências BDSM?

Há alguns canais onde encontra-se praticantes, creio que alguns com mais qualidade, outros com mais quantidade rsrs

Os canais que eu conheço e que julo relevantes:

Chat do UOL > Sexo > Mais Salas de > Sexo > Sadomasoquismo > SP e RJ (no meu caso que estou em SP… mas as salas dos dois estados são as mais ativas mesmo…

Bom porque tem muita gente, ruim porque tem muita gente… entendeu?

Fetlife (rede social que tem recursos de comunidade, fórum, eventos, perfis) o que permite que você encontre pessoas por afinidades, por preferências, localidade, etc…

Bom porque é mais focado, ruim porque tem panelinhas… mas acho que fonte de informação é o mais interessante por enquanto.

 

Site do Sr. Verdugo – Creio que um canal interessante para encontrar material de referência, de um dominador que é engajado e sério, lá também tem um classificado legal, é preciso ser registrado para ter acesso às informações dos anunciantes…

Guetos brasileiros do bdsm

Tenho a impressão que todos se escondem atrás do papel de dominadores ou até com mais frequência quando são submissos, mesmo sendo importantes diretores de grandes empresas  se vêem diminutos diante da montanha de preconceitos e aparências que “precisa-se” manter. Pois é, eu sou um que prefere não revelar minhas preferências e modo de vida, para não ter que ficar explicando isso ou aquilo para amigos, familiares ou colegas de trabalho.

Mas tenho a impressão que apesar do Fetlife ser um canal interessante de integração, nós não temos nenhum canal brasileiro que acolha a comunidade bdsmista não é? ou alguém sabe de algo que eu não sei? pode indicar?

 

Torna-se o dominador um submisso das vontades de outra pessoa?

Claro que já ouvi falarem que sem a submissão o dominador não é nada, sem que a submissa ceda a transferência de poder, ele não faz nada.

Óbvio, mas isso é contado de forma um tanto pobre…

Eu diria que a relação não existe se faltar um dos elementos básicos!

Vamos lá, eu já conversei com pessoas que eram dominadoras e depois tornaram-se submissas e o contrário também.

Switcher na minha opinião não existe. É como se ele fosse um fetichista que curte dominar ou ser subjugado em algumas situações e só… mas essa coisa de dualidade me deixa louco rs

Acredito que simplesmente, se o dominador abre espaço para que a submissa mande e desmande ou tenha escolhas fundamentais que afetem a vida do dominador ou a relação dos dois, não tem-se aí uma relação plenamente BDSM… pode-se até dar algum outro nome pra isso, mas não existe dominador subjugado.

Não vejo qualquer problema nisso, as pessoas fazem o que as tornam felizes e essa é a parte importante da coisa, o resto é blablabla, mas relação plena BDSM não tem isso. Eu acabei de postar algo sobre as relações BDSM e acredito que complemente esse meu raciocínio… você pode ler sobre isso aqui: Relação BDSM/baunilha

 

Uma relação BDSM precisa ser baunilha para ser completa?

Já ouvi essa pergunta algumas vezes.

Acredito que uma relação não precise de uma definição, ela só precisa ser. Precisa sim satisfazer as necessidades e vontades dos envolvidos, mas caber em uma definição é outra história, e quem está preocupado com isso nunca terá tempo para fazer a sua relação ser plena. Seja ela uma relação BDSM ou originalmente baunilha.

Ver uma relação etiquetada com o nome BDSM é o mais comum e confesso que eu mesmo uso o rótulo, pois facilita a comunicação e o entendimento. Mas quando vale a pena dissecar o termo e ser prolixo o bastante como bom capricorniano que sou, então eu gasto o verbo e falo logo tudo o que penso a respeito… e infelizmente não vai caber neste post tudo o que eu gostaria de dizer sobre a definição de uma relação.

Vamos organizar então o que estamos falando…

É uma relação BDSM quando se há duas figuras fundamentais para tal, (no mínimo). Sendo o dominador e a submissa ou o sádico e a masoquista.

Falo de papéis feminino e masculino apenas pela minha opção heterossexual e obviamente existem dominadoras e submissos, mas eu entendo que você percebe meu ponto de vista ok?

Então, imaginamos que na relação BDSM os envolvidos usam de práticas ditas as criadas para fins de extração da alma BDSM… e isso inclui chicotes, velas, tortura, couro, latex, vibros, consolos, pregadores e toda a parafernália que usamos de brinquedos, ferramentas ou seja lá qual for o nome que você dá para eles.~

Aí vem algumas questões que para mim são fundamentais:

  1. Se há amor numa relação BDSM, o dominador vai conseguir açoitar a sua submissa?
  2. Na relação BDSM, os envolvidos fazem coisas “normais”?
  3. Se a submissa não amar o dominador, (normalmente acontece em relações que limitam-se em sessões) ela vai se dedicar de corpo e alma?

Minhas respostas para isso:

  1. Sim, vou conseguir açoitar e minha cumplicidade e envolvimento com toda a cena com ela, serão muito maiores. Entender a questão de castigo, dor, prazer relacionado a poder, pertencer, nexo de propriedade… é fundamental para sacar onde está o segredo disso e não fazer essa pergunta.
  2. Obviamente, as ditas coisas normais seriam ir ao cinema, andar de mãos dadas na rua, tomar um sorvete juntos, viajar com amigos que se descobrirem que vocês curtem um açoite e velas, vão sair correndo…
  3. Aqui, depende… Porque pode até ser que ela seja uma submáquina e ela consegue usar os recursos da sua submissão de forma efetiva mesmo não se envolvendo. MAS na minha opinião, temos 2 pilares fundamentais numa relação BDSM completa: confiança e envolvimento. Sem eles, é impossível dizer que se tem uma relação BDSM com profundidade.

Então uma relação BDSM é como qualquer relação baunilha, a não ser pelo botão de SM Mode: ON que faz com que alguns detalhes das práticas sejam trazidos à mesa… ou à cama… e claro, toda a postura que se exige de uma relação D/s, mesmo no dia-a-dia, onde a submissa é submissa…

Ainda não fiquei satisfeito com esse post. Aceito comentários e podemos discutir algo a respeito que tal?

 

 

Livros BDSM: A história de O / Historie d’O

Há uma continuação do romance, com o título de Retorno a Roissy, este eu só assisti o filme e não recomendo a ninguém que perca seu tempo com ele… ele é simplesmente péssimo, em todos os sentidos… e parece que não trata-se da continuação da mesma história.

Você pode baixar o livro em PDF clicando aqui.

(alguns browsers podem abrir o PDF diretamente, se quiser baixar o arquivo nesses casos, clique o botão direito do mouse no link e selecione a opção “salvar link como”)

 

Consegui contato com uma pessoa que postou o filme com legenda em português, você pode assití-lo nesta página: O filme História de O já está on-line aqui.

 

A história de O

Capa do livro

Vou começar com um livro muito conhecido no meio, que tem uma versão em filme, que considero um dos filmes mais importantes sobre BDSM. Ele tem na sua raiz o conceito de propriedade que o BDSM sugere, sobre alguém que pertence ao dominador. O filme é leve e gostoso de assistir, sem cenas fortes de sexo nem qualquer exagero na minha opinião. Em breve irei postar um link para quem quiser assistir A história de O, ou como é o título original, Histoire d’O.

Gosto da descrição sobre o livro que existe no Wikipedia, apesar de não gostar desta fonte, mas esta é uma outra história e deverá ser contada em outro momento.

A História de O (em francês: Histoire d’O) é um romance erótico escrito por Anne Desclos sob o pseudônimo Pauline Réage e publicado na França em 1954.

Breve resumo

“O” uma fotógrafa de moda parisiense, se deixa levar sem resistência por seu amante René ao isolado castelo de Roissy. Roissy é uma propriedade particular; no seu interior muitas mulheres são educadas para serem submissas à vontade dos homens. “O” deixa-se ensinar para ser uma perfeita submissa. Como parte de seu treinamento, ela é amarrada, chicoteada, mascarada e aprende para ser a qualquer momento e para todos sexualmente disponível.

Depois de completar sua formação, ela, como mais uma prova do amor, concorda com o pedido de René para viver temporariamente com um amigo paternal dele, Sir Stephen, e se submete incondicionalmente aos desejos dele. Sir Stephen revela-se ainda mais dominante que René, por isso “O” apaixona-se por ele. Como prova final de seu amor, ela passa por um treinamento ainda mais rigoroso, em um lugar habitado e gerenciado exclusivamente por mulheres, denominada Samois. Lá, ela concorda em obter uma marca de ferrete e um piercing na vagina, como o sinal definitivo de sua submissão.

Tudo é descrito na perspectiva da heroína, cuja vida interior é retratado de uma maneira sutil, sem ser avaliada moralmente ou psicologicamente. É famosa uma cena de violação e tortura em que ela repara que os chinelos de seu amante são gastos e ela teria na próxima oportunidade adquirir novos. Na linguagem e estilo, a obra fica na tradição da literatura clássica francesa. Apesar da temática o livro é escrito sem palavras obscenas.

 

Relevância

Pela qualidade literária e pela considerável coragem com que trata o tema da submissão sexual feminina em um estilo cru e direto, o romance se tornou um dos ícones da literatura erótica do século XX.

Provocou fortes reações do público e da crítica, e recebeu o prêmio de literatura erótica Les Deux-Magots, em 1955.

 

Autoria

Anne Desclos publicou o romance sob o pseudônimo de Pauline Réage. Quinze anos mais tarde, em 1969, ainda como Réage, publicou uma continuação do romance de O, intitulada Retorno a Roissy.

A real identidade de Pauline Réage só foi revelada em 1994, numa entrevista concedida à revista americana The New Yorker.

Imagem do filme A história de O

 

Meu primeiro post pro mundo BDSM

Olá!

inspirado pela avalanche de informações que consulto com frequência em sites gringos, foruns, conversas, sempre quis parar para escrever algo.

Hoje, finalmente após me lembrar de uma longa conversa com uma sub que não conheço, mas que foi muito frutífera, essencialmente sobre o conceito BDSM e tudo o mais que pode influenciar nas decisões de uma submissa ou de um dominador no caminho da relação plena originalmente BDSM, com conceitos às vezes nem tão “ortodoxos” mas propriamente válidos e que na maioria das vezes fogem da liturgia mas que sempre tem algo a adicionar para qualquer apreciador do BDSM, resolvi então começar a registrar minhas experiências e pontos de vista.

Bem-vindo(a) ao meu blog, fique à vontade.

Saudações BDSM!

Dom Draconiano.