Eos: e então, o início.

Eos de Drácon

Ela estava tensa, pálida, suas pernas tremiam, os seus lábios estavam secos.

Era a primeira vez que ela o encontraria. Ele a todo momento fora claro e seguro, não deixando espaço para dúvida ou desconfiança.

Ainda assim, o toque, o cheiro, a voz e a energia de quem estava prestes a dominá-la, faziam parte do desconhecido. Um desconhecido assustador, cheio de fantasias e perguntas ocultadas.  A preocupação constante da não aprovação. O desejo por ser aceita. Cada pequeno preparo para seu dono, a faziam sentir radiante. Era para ele, somente para ele, e os detalhes a faziam sorrir. A escolha da lingerie, do perfume, da maquiagem…

Era chegada a hora de seu  “first blind date” (primeiro encontro às cegas).

Quando o assunto foi abordado a primeira vez, ela sentiu contrair o estômago, sua cabeça deu um nó. Medo, curiosidade, desejo… Ela já não saberia dizer não… As conversas evoluíram. A certeza de que o pertenceria, estava entranhada em seu corpo, sua mente. Ele era tudo que uma submissa poderia desejar para si. Era inteligente, seguro, paciente , sobretudo um grande conhecedor do universo tão fascinante e atraente que ela deseja adentrar. Ele era a pessoa certa! Ela por sua vez, atentava para tudo que ele a ensinava. Absorvia suas o opiniões. Desejou imensamente ser a melhor escolha dele. Sabia o que tinha a entregar. Só pensava em estar pronta. Até chegar o dia, sentia mistos de medo e desejo…

Chegou o dia. Ela no aeroporto, não era sua cidade, mas era o grande dia. Ela sabia o que fazer, foi ao banheiro, molhou o rosto, não queria parecer desesperada. Tremia. Não havia como evitar. Pensou em comer algo, desistiu. Eis que o telefone toca “oi menina, sabe como deve fazer, ao entrar no carro, feche os olhos, você será vendada”. Sentiu enjoo. Temeu não suportar tamanha emoção. Obediente, fez exatamente como ordenado. Chegaram ao hotel. Ela saiu sem olhar para trás. Seu nome estava na reserva do quarto. Tinha uma hora para estar pronta. Ele voltaria. Era uma ordem. Ela entra no banho, demora. Experimentou todas as lingeries que levara. Liga a TV. Desliga. Põe uma música no celular, desliga. Se examina trinta vezes diante do espelho. Faz um exercício de relaxamento. Nada ameniza a tensão e ansiedade. Prende os cabelos, menos alto, mais frouxo. Sentiu um calafrio, faltavam poucos minutos. Se ajoelha de costas para a porta, só de lingerie, cabelos presos, nuca a mostra. A Respiração ofegante, as pernas fraquejam, o coração na boca. Ouve o barulho da fechadura. Pensa: meu dia chegou, meu Dono está aqui. Ninguém jamais poderia imaginar tais sensações, somente estando em seu lugar, pensava ela. A cada passo de seu Dono, em sua direção, seu coração saltava forte, a respiração gritava, sem disfarce, no silêncio do quarto. Ele a toca no pescoço, fala em seu ouvido, seu corpo a golpeia quente e forte. Sente o líquido escorrer e suas bochechas corarem…

De olhos vendados, entregue, cabeça baixa e mãos para trás, sentiu-se completa, em seu lugar, nua, vulnerável à vontade de seu Dono.

Encoleirada, sentiu-se estranhamente a vontade.

Assim permaneceu por horas, vendada, exausta, usada, nua. Se manteve em silêncio, aguardando qualquer manifestação de seu dono. Sabia que depois desse momento sua vida jamais voltaria a ser a mesma…

Eos de Drácon

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Fragmentos de uma relação bdsm | segundo ato

Submissa:

Foi difícil entender o que se passava pela minha mente naqueles instantes finais. É muito complexo este jogo e ainda estou aprendendo a entender o meu “adversário”, entender sua mente, seu objetivo e poder jogar com as mesmas armas que ele….

O ser humano é muito complexo e nem sempre decifrável. Ontem sai com a sensação intensa de ter sido um objeto, imóvel, de joelhos na porta do banheiro, algo como um belo vaso abandonado no canto da sala, aqueles que só lembramos que existe quando chutamos sem querer ou vemos as folhagens amareladas. Aliás, tive esta sensação algumas vezes.

Até meus pensamentos me desprezaram me viraram as costas e me deixaram vazia naquele carro, em busca de uma palavra, um gesto qualquer que me expulsasse deste buraco enorme que se abriu e onde me sentia encolhida e sozinha.

Talvez seja mais fácil quando não se tem ansiedade, como disse, e eu que me achava uma pessoa controlada e dona de si, me deparo com uma necessidade enorme de satisfazer alguém, de dar prazer, não se importando com a forma. A ansiedade vem deste silêncio absoluto depois do barulho do carro se distanciando… me faz sentir uma mulher qualquer sendo deixada num canto qualquer… e saio me perguntando quem sou eu. Quem é esta mulher que conduz a vida com tanto equilíbrio e neste momento tão frágil, tão pequena, tão diminuída.

Ao mesmo tempo em que este sentimento dói, que consome, conforta. É como se existisse duas pessoas dentro deste mesmo corpo, vivendo uma crise existencial e brigando pelos seus direitos, uma de mulher e a outra de escrava.

Qual das duas será que ganha esta briga?

Poderiam até se entender se houvesse a satisfação e complemento das duas….

Mas é tão difícil achar este equilíbrio, principalmente porque não depende de mim e sim de outra pessoa que decide o que vai fazer comigo hoje… e ele quis me usar, apenas.

Acho que estou lendo “50 tons” num momento bem propicio….e como diz Anastácia, – “quero mais”.

Foi mais ou menos como sair do teatro antes do final da peça e não saber como ela acabou.

Se o seu desejo foi este, objetivo alcançado.

Isto me consome, porque me frustra me preenche, me confunde e me lembra do que sou na essência e meu medo é a entrega sem questionar os pensamentos e sem que eles se revoltem contra mim mesma.

Senti falta de você.

 

Dominador:

Boa noite X, como vai?
muito bom, foi como eu esperava.

Quero que você experimente sensações diferentes, investigue a você mesma, descubra-se… só depois de termos explorado alguma coisa é que teremos parâmetros para então seguir determinada linha.

A ideia de briga entre as duas pessoas dentro de si mesma é natural, mas a situação não existe, não é uma briga e ninguém ganha a batalha… e é justamente aí que vem a coisa legal, o melhor aspecto da nossa cabeça. Você está naquele momento dominada, entregue, a dominação psicológica depende justamente das reviravoltas, dúvidas e incertezas absolutas… isso faz com que você esteja disponível, frágil e que dependa de confiança em seu dominador. Ainda falta muuuito para experimentarmos, testarmos, alcançarmos, mas nessa pegada eu tenho certeza que cada etapa do processo será bem vivida e aproveitada.

Pense que todo esse exercício pode deixar muita coisa preciosa de legado… é com ele que você vai se descobrir no bdsm, é com ele que eu vou fazer desabrochar em você a submissa do meu jeito. Mas que é só um modelo que iremos criar juntos, para a nossa relação. E você tem muito mais a oferecer, com suas peculiaridades e experiências externas ao bdsm, que faz com que esse estereótipo da nossa relação seja único, só nosso. Se houver outra pessoa no futuro, ela já não irá experimentar das mesmas situações com você, mesmo que utilize as mesmas técnicas e conceitos que eu. Pois cada qual transforma o meio com suas experiências… além de você ser uma pessoa diferente a cada dia.

E viva às diferenças! a descoberta de si própria e da submissa que está aí, gritando para inundar sua mente.

Bem-vinda, à noite escura… nossa atmosfera está criada.

Conforto: não pense que você sendo usada é algo negativo. É aí que o bdsm está… e nem sempre você será só usada, ainda temos muito a fazer.

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Blind date – BDSM / Privação de sentidos

Blind date, muito além de um encontro às escuras

De todos os sentidos que temos, acredito que a visão seja a que mais influencia em nossas decisões, em nossas vontades, em nosso equilíbrio. E por aí vai uma lista imensa de possibilidades que este sentido nos traz.

O blind date, muito mais do que um encontro às escuras, é na minha opinião uma privação de sentidos intensa e que propicia uma riqueza de interações e sensações que está diametralmente oposta a tudo o que esse sentido permite, e por essa razão é a força motriz que impulsiona sentimentos únicos e intensos; carregados de prazer e volúpia. Além é claro das possibilidades de se potencializar outras técnicas do BDSM, combinando práticas que só o dominador pode ditar.

A submissa vendada, o dominador aguçando seus sentidos

Blind DateUm bom blind date acontece antes que a parte que será vendada conheça o corpo de seu dominante. É um sinal de risco, entrega, confiança; um convite ao prazer, à descoberta, às possibilidades que a troca de poder pode propiciar.

Imagine uma cena onde a submissa chega primeiro, prepara o ambiente, velas, aromas, pétalas de flores pelo caminho, uma música gostosa, meia luz, alguns acessórios dispostos de forma organizada em cima da mesa, uma garrafa de vinho no balde de gelo, e a parte mais importante da cena… a submissa, linda, ajoelhada de costas para a porta, respiração profunda, pele arrepiada, vendada, excitada e com medo, trêmula, à espera de um dominador que a seduziu, que vai marcar a sua pele com palmadas fortes, mordidas, chicotadas e com cordas que apertam seu braço e tornozelo.

Então finalmente o dominador chega, ela ouve seus passos, ele tranca a porta, a respiração dela entra num ritmo torturador, ele caminha pelo quarto, a observa, imóvel, trêmula, louca de desejo misturado com medo. Ele chega perto de seu ouvido, elogia seus cuidados sobre como se vestiu e cuidou de tudo, diz que está excitado por começar e explorar nela o maior prazer que o seu corpo pode dar, usá-la, submetê-la. Ela está mais trêmula a cada segundo… ele tem uma fala suave, diz as coisas perto de seu ouvido, de forma devagar, voz baixa, arfando o calor que ela poderá talvez sentir em sua boca mais tarde.

O blind date é com certeza a prática que mais aprecio. Talvez eu continue essa cena, tenho certeza que já é possível construí-la de forma bem rica a partir deste ponto… e é possível entender porque pode ser algo intenso e único.

Continua? talvez… E você, gosta do blind date?

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Fragmentos de uma relação bdsm | primeiro encontro

Submissa:
O primeiro encontro
O primeiro minuto foi eternizado no toque de suas mãos, antes era um misto de medo, ansiedade, suspense, excitação…

Depois de sentir seu toque um rodamoinho de sensações passaram por mim, todas elas me deram um oi passageiro e foram embora, transformando tudo em um cenário iluminado…

E iluminado é a sensação mais confusa neste momento, em que meus olhos vendados nada viam….

Depois veio o som da sua voz, que invadiu a minha alma e cravou sua bandeira dizendo que não estava de passagem…

Som inesperado que surgia ao meu lado, que firmava que alguém muito desejado estava presente, sua voz arrepiava meu corpo e me conduzia… e eu me deixava guiar por ela …

Indefesa e limitada a fazer o que a sua voz me dizia…

Sempre esperei por um momento único, nunca imaginei como ele seria, apenas queria que ele fosse único, pensado e criado por alguém que entendesse que cada minuto é especial e é isto que faz com que se eternize…

O cuidado, o carinho, o respeito, a possessão, a dominação… me renderam… e me tornei, ao entrar por aquela porta… sua submissa.

Clamando pelos seus olhos… e sendo iluminada pelo seu toque e sua voz… vejo que o que vem de ti me é suficiente… e não preciso de nada que não queira me dar e sou absolutamente escrava e dependente do que me dá com amor…

Triste hoje não é não ver seus olhos ou a luz do quarto… mas sim não ouvir sua voz a me conduzir…

 

Tem mais… bem mais!

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Fragmentos de uma relação bdsm | Início

Um breve cenário, que dentro do possível vou resgatar e quem acompanhar talvez tenha noção do  que foi vivido. Daqui em diante, o desenrolar desse história eu irei sempre marcar como “fragmentos de uma relação bdsm”, caso você queira acompanhar, sinta-se a vontade.

  • A submissa: casada e iniciante
  • Situação: marido sabe, ele fez o contato com o dominador através de um anúncio num site, não participa de nenhuma sessão, sequer o conhece pessoalmente.
  • Forma de contato real: blind date
  • Contatos: 3 sessões
  • Condições: ela não pode fazer contato a não ser de forma escrita, ela fica a disposição do dominador quando ele deseja, ela gosta de ouvir a voz dele, mas ele raramente liga para ela, ela ainda não tirou a venda dos olhos, desde a primeira sessão, e não se importa com isso. Quer sentir novas sensações, se entregar, se sente dominada por ele desde o primeiro contato telefônico.
  • Avaliação superficial: ela é sub de alma, entende o conceito de entrega, não tem medo, quer viver o bdsm, vê no bdsm a oportunidade de se libertar, tem grande potencial para aprender e servir, é dedicada, não é ansiosa, não se importa em como o dominador leva a vida, não pergunta detalhes, só quer viver e se entregar a ele, é vaidosa, é inteligente, tem perfil profissional de destaque e não-submisso, pensa antes de falar, tem encanações às vezes, se é agradável, se é gostada pelo dominador, mas vai superar isso e entender que se ele está com ela, ela basta.

 

Tem mais… muito mais…

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