Pseudo-dom ou embuste?

Ah! esse pato é ganso!

pseudo-dom

Em um bate-papo com uma amiga que é submissa e que busca um dominador que seja decente e respeitável, ela me passou um printscreen da tela de seu celular, com um pequeno trecho de um bate-papo com um pseudo-dominador. A intenção aqui não é criticar ninguém, basta ler o que o figura escreveu para entender do que falo, e isso me levou a escrever um pouco sobre esse tema tão presente em nosso meio.

O pseudo-dom vem à tona com muita frequência, bem como a pseudo-sub, mas isso é outra história e deve ser contada em outro momento. =)

Trata-se daquele cara que reúne uma gama de detalhes relacionados ao BDSM e que às vezes até acredita que misturar tudo e sair dizendo que já sabe do assunto, ou que gosta dessa ou daquela prática é suficiente para ser dominador. Eu mesmo já passei pela fase em que eu não sabia ainda se já podia me considerar um dominador, quando eu estava iniciando, e; obviamente achei que sabia mais do que de fato sabia. Acontece que há tipos de pessoas relacionadas a esse tema, que quero mostrar aqui. Primeiro o printscreen do pseudo-dom:

Pseudo-dom

Pseudo-dominador

Acredito que haja algo como esses tipos:

  1. o cara que vê sexo fácil no BDSM e que vai comer todas as vadias que são malucas e topam tudo, então ele lê uma coisinha aqui e outra ali, reúne as “palavras-chave” e com um pouco de cérebro, vai à caça. Mas o cérebro é tão preguiçoso, que com um pouco de atenção e cuidado, a submissa percebe que esse é o primeiro tipo de pseudo-dom que eu reconheço: o mané espertão (porque ele se acha esperto, mas na verdade…).
  2. o cara que acredita que ser dominador é mandar e a submissa obedecer, como provavelmente é o caso do pseudo-dom que escreveu à minha amiga sub acima, ele relaciona o BDSM apenas ao sexo, não tem a mínima ideia do que é servir e acredita que a submissa é uma garçonete. Ele também acredita, segundo suas próprias palavras, que o BDSM é um “complemento” à vida baunilha dele… porque entende que as pessoas vêm curtir um fetichizinho no meio, mas namorar de verdade, ou casar, só com baunilha… Este eu diria que é o: esclarecido #SQN. E acredito que é o cara que vai ter tanta preguiça de se informar para se aprofundar no assunto, que vai morrer na praia em breve… e vai perceber que o swing é um meio onde ele provavelmente vai ter mais sexo-quente do que em nosso meio, pois lá também ele corre o risco de uma garçonete resolver participar da suruba com ele.
    PS.: gosto do meio swing e não estou criticando o meio, mas a forma com que esse tipo de figura pode interpretar o meio que ele vê.
  3. aquele que está iniciando, experimentando, mas não é homem suficiente para ter a segurança de dizer que é iniciante, aí ele interpreta servir com: “trazer água, vinho, essas coisas…” hahahaha chega a ser hilário! esse aí de cima me deixou na dúvida se ele é o segundo o terceiro ou um mix dos dois… porque o pior: esse “iniciante mentiroso” vai se dar mal porque não se liga que não é por aí, e não vai passar do “iniciante”. Só pra batizá-lo também: dom-juvenil.

Algo que não pode-se confundir é prazer sexual com o prazer que o BDSM propõe. Porque “sexo hard” é mole, o difícil é o seu marido baunilha conseguir conciliar as coisas e suportar a situação pro resto de suas vidas, vendo-se “obrigado” a espancar a esposa e ser grosseiro com ela sem desejar isso, sem ter prazer com isso… aí a confusão com o prazer em dominar alguém que queira ser dominada e não forçada, e o prazer sexual com fetiches ou sexo mais apimentado… e acredite, sexo com bdsmer é igual ao sexo baunilha, se você não conseguir ver que isso é idêntico e que o prazer que sua relação bdsm traz é por outra questão, então você é mal comida ou seu dominador acredita que existe mesmo um manual onde está escrito que o DOM precisa ser assim ou assado. Pois bem, eu namoro minha sub, eu adoro fazer as vontades dela, gosto das coisas do meu jeito, mas não vejo o bdsm como um extra em minha vida, e tornar viável que sua relação seja plena e feliz, é parte do que precisamos entender: BDSM não é algo fora da realidade, é possível conviver com tudo isso misturado ao nosso dia-a-dia, e 24/7 é algo bem mais amplo e simples do que pintam. É justamente o contrário das relações onde se tem um parceiro baunilha para o “uso social” da relação, e um “dominador” que realiza suas fantasias pervertidas.

Pior é aventar algo com um estúpido desses! e há submissas, ops… pseudo-subs que compram essas figuras! Nada contra, mas então é melhor nem associar isso a uma coleira! eu teria vergonha, sério mesmo.

Pros dominadores iniciantes, eu diria que a melhor coisa a fazer é ter segurança, é uma característica esperada desse perfil, que ele seja seguro, verdadeiro, sincero e firme. Achar que precisa seguir um manual invisível e que o BDSM é só sexo é no mínimo ser tolo. Porque o BDSM não tem nada com o sexo… tem com o comportamento das pessoas, o sexo é algo que vem no pacote, mas é a menor parte no conceito BDSM.

É, eu tô ácido hoje, sarcástico e perigoso também, Eos que me aguente ;)

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Pode um dominador se envolver com uma submissa?

Eu não conheço outra forma de viver uma relação, ao menos aquelas em que se espera profundidade, reciprocidade, intensidade, plenitude…
Sou daqueles que considera uma relação BDSM, uma relação normal, como deve ser… E relações normais, a não ser que sejam passageiras ou promíscuas (e nada contra esse segundo caso, mas estão fora de minha preferência), são exatamente o tipo de relacionamento onde se espera comprometimento, entrega, confiança e ENVOLVIMENTO, isso mesmo… Pode ser profundo a ponto de cegar os envolvidos, pode ser pouco profundo, mas tem envolvimento… E é fundamental. Discernir essas definições nos ajuda a só nos metermos em algo que queremos.

foto BDSM  SenhorÀs vezes as coisas acontecem sem as guiarmos, e considero esta a forma mais natural e gostosa de experimentarmos nossa vida… Quando as coisas vão se revelando e tomando forma sem forçarmos nada, onde nosso coração diz a direção, ou simplesmente nos diz para não parar, só confiar no caminho e continuar andando…

Sei que estou abordando uma questão que parece ser bem romântica, mas pra mim não parece… É!

Dominadores amam, choram, se apaixonam, sentem tudo o que baunilhas sentem. A diferença é a forma de abordar, e ter suas ideias e sentimentos declarados, quase que escancarados. Mas ok, reconheço que a maioria dos dominadores esconde que são homens comuns, parecem ser maiores do que são e alguns até acreditam nisso.

Não cabe a mim o julgamento. Mas prefiro não ser um personagem fictício.

Voltando ao envolvimento, ah! O envolvimento… Minha sugestão é: ame, entregue-se, confie. Sem o envolvimento não haverá a entrega, muito menos a confiança, ingredientes essenciais para uma relação BDSM ou baunilha de qualidade.

Na dúvida, apenas continue a andar. “Caminhante, não há caminho… O caminho se faz ao andar”, e seja feliz.

Então pra finalizar meu devaneio: Envolver-se É O ÚNICO CAMINHO. Não é óbvio? Deveria!

Saudações draconianas, hoje estou inspirado aiaiai ;)

 

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Relações com pessoas

É, não trata-se propriamente de um post relacionado ao BDSM, mas sobre algo que contém o BDSM, ou onde o BDSM está contigo hahaha!

Enfim, quero escrever sobre o imediatismo… eu estou sempre prestando atenção ao comportamento das pessoas, às sandices e superficialidades que ouço e leio, mas algo me chamou demais a atenção dessa vez!

Num site de relacionamentos (onde a maioria aqui já deve ter se cadastrado mas não admitiria hahaha) a mocinha feliz escreveu:

imediatismo nas relações

Supostamente é uma pessoa que busca uma relação duradoura e firme, que não está necessariamente desesperada, mas que a apenas 3 meses e 10 dias do fim do ano, dizer o que ela disse é no mínimo burrice.

O imediatismo assola uma geração inteira, da qual participo e creio que as próximas estão no mesmo caminho. Será isso algum tipo de medo do futuro? as relações estão assim tão mornas e superficiais que querem acorrentar a primeira alma ao lado da cama para chamar de seu?

O mesmo acontece no BDSM, como em vários outros meios, oxalá em todos… porque ou eu sou um chato que vê isso sozinho ou está rolando mesmo esse fenômeno e ninguém se dá conta ou reclama.

O exemplo acima é do meio baunilha, mas no BDSM eu vejo pessoas que falam contigo por alguns segundos… É! segundos! e acham que sabem algo profundo sobre a sua natureza, o qual é suficiente para ela saber que você é ou não apropriado para o fim a que ela o quer destinar. Isso é divertido, triste, repugnante e deixa a muitos PUTOS! como eu… justamente porque as pessoas dizem que não é importante a aparência, mas a primeira coisa que fazem é se descrever para o outro, ou perguntar como ele é fisicamente. Que raios quer dizer então não ser importante a aparência?!

Ah! isso dá pano pra manga, mas eu precisava postar agora para não esquecer… se alguém quiser fazer uma dissertação a respeito, eu sei que alguém aqui gosta de escrever bastante, assim como eu e deve achar algo interessante de se compartilhar a respeito desse fenômeno que é o imediatismo que estamos vivendo. Caso contrário, em breve devo encher a tela de minhas opiniões e indignações sobe as pessoas que dizem que buscam, mas no fundo não buscam absolutamente porra nenhuma. É, perdi a linha… hahahaha tô revolts hoje.

Saudações draconianas!

 

 

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Poesia BDSM C.D.A. (Língua)

De BDSM, BDSM mesmo não posso dizer que é este texto safado do Drummond, mas é um convite a imaginar o que se pode com o tema não?lingua-bdsm

A língua lambe as pétalas vermelhas da rosa pluriaberta;

a língua lavra certo oculto botão,

e vai tecendo lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta, a licorina gruta cabeluda,

e, quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu,

entre gemidos, entre gritos,

balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos

Carlos Drummond de Andrade

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Uma relação BDSM precisa ser baunilha para ser completa?

Já ouvi essa pergunta algumas vezes.

Acredito que uma relação não precise de uma definição, ela só precisa ser. Precisa sim satisfazer as necessidades e vontades dos envolvidos, mas caber em uma definição é outra história, e quem está preocupado com isso nunca terá tempo para fazer a sua relação ser plena. Seja ela uma relação BDSM ou originalmente baunilha.

Ver uma relação etiquetada com o nome BDSM é o mais comum e confesso que eu mesmo uso o rótulo, pois facilita a comunicação e o entendimento. Mas quando vale a pena dissecar o termo e ser prolixo o bastante como bom capricorniano que sou, então eu gasto o verbo e falo logo tudo o que penso a respeito… e infelizmente não vai caber neste post tudo o que eu gostaria de dizer sobre a definição de uma relação.

Vamos organizar então o que estamos falando…

É uma relação BDSM quando se há duas figuras fundamentais para tal, (no mínimo). Sendo o dominador e a submissa ou o sádico e a masoquista.

Falo de papéis feminino e masculino apenas pela minha opção heterossexual e obviamente existem dominadoras e submissos, mas eu entendo que você percebe meu ponto de vista ok?

Então, imaginamos que na relação BDSM os envolvidos usam de práticas ditas as criadas para fins de extração da alma BDSM… e isso inclui chicotes, velas, tortura, couro, latex, vibros, consolos, pregadores e toda a parafernália que usamos de brinquedos, ferramentas ou seja lá qual for o nome que você dá para eles.~

Aí vem algumas questões que para mim são fundamentais:

  1. Se há amor numa relação BDSM, o dominador vai conseguir açoitar a sua submissa?
  2. Na relação BDSM, os envolvidos fazem coisas “normais”?
  3. Se a submissa não amar o dominador, (normalmente acontece em relações que limitam-se em sessões) ela vai se dedicar de corpo e alma?

Minhas respostas para isso:

  1. Sim, vou conseguir açoitar e minha cumplicidade e envolvimento com toda a cena com ela, serão muito maiores. Entender a questão de castigo, dor, prazer relacionado a poder, pertencer, nexo de propriedade… é fundamental para sacar onde está o segredo disso e não fazer essa pergunta.
  2. Obviamente, as ditas coisas normais seriam ir ao cinema, andar de mãos dadas na rua, tomar um sorvete juntos, viajar com amigos que se descobrirem que vocês curtem um açoite e velas, vão sair correndo…
  3. Aqui, depende… Porque pode até ser que ela seja uma submáquina e ela consegue usar os recursos da sua submissão de forma efetiva mesmo não se envolvendo. MAS na minha opinião, temos 2 pilares fundamentais numa relação BDSM completa: confiança e envolvimento. Sem eles, é impossível dizer que se tem uma relação BDSM com profundidade.

Então uma relação BDSM é como qualquer relação baunilha, a não ser pelo botão de SM Mode: ON que faz com que alguns detalhes das práticas sejam trazidos à mesa… ou à cama… e claro, toda a postura que se exige de uma relação D/s, mesmo no dia-a-dia, onde a submissa é submissa…

Ainda não fiquei satisfeito com esse post. Aceito comentários e podemos discutir algo a respeito que tal?

 

 

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